domingo, 11 de março de 2012

Tempo, querido tempo

"Por seres tão inventivo e pareceres contínuo...Tempo tempo tempo tempo, és um dos deuses mais lindos... Tempo tempo tempo tempo..."
É assim que começo o texto de hoje, já evidenciando qual o assunto em pauta: o tempo. E um pouco da novela "A vida da gente" com seus exemplos. Então, não sou "ligada" em novelas, nem assisto mais há muito tempo, e com essa que acabou há uns dias não foi diferente. Vi alguns capítulos aleatórios, quando não tinha ocupação, e ouvia comentários sobre o triângulo polêmico que se formou na trama. Até uma amiga minha comentar sobre o último capítulo dizendo que gostou muito. Ela é uma ótima crítica, então levei sua opinião em consideração e resolvi assistir pra ver se curtia. Não deu outra: o final realmente me emocionou, fiquei admirada com alguns diálogos e constatações sobre os protagonistas e sobre o tempo. 
Como todos devem saber, a Ana e o Rodrigo se amavam desde a infância, e após ela entrar em coma ele se envolveu com a irmã de Ana, criando a filha que tiveram com sua nova amada. Quando Ana acorda do coma, de repente Rodrigo se vê confuso entre voltar a viver o passado de toda a sua vida antes do coma da garota, ou viver o presente com a garota que passou a amar. O amor entre Ana e Rodrigo sempre havia sido complicado, e nunca lhes permitiram viver juntos, o que os mantinha num sofrimento, presos numa história inacabada. Enquanto com Manuela ele pôde ser feliz, embora sempre assombrado pelo "fantasma" de Ana. 
Toda essa situação me fez pensar em como isso acontecia, e que era mais comum do que se imagina existirem Rodrigos, Anas e Manuelas na vida real. Não na mesma situação, claro, mas em conflitos parecidos. O que acontece é que somos acomodados. Sim, nos acostumamos tanto com as coisas que quando entramos em terreno desconhecido ficamos com saudade do terreno antigo e já tão aconchegante. Falando em relacionamentos amorosos, especificamente, é bastante frequente: muitas vezes você não sente falta da pessoa em si, e sim das ligações que ela fazia só pra te desejar "boa noite" ou perguntar como foi seu dia, dos lugares que vocês costumavam ir juntos, das mensagens, conversas, risos, etc... Porque no fim de um relacionamento você normalmente se sente sozinho, sem ninguém pra suprir a falta das coisas que você era acostumado a fazer e ter. Então você se sente preso à pessoa, mais por medo do novo do que por saudade. É natural, está na condição de ser humano. Aí vem o tempo, o sábio senhor que tem o poder de curar tudo... Remediar ou simplesmente cicatrizar. 
Me ocorre que essa prisão que construímos para nós mesmos seja ruim, porque nos torna tão relutantes que às vezes nos priva do melhor. É bem aquela coisa do "há males que vêm para bem", e nos custa acreditar. No momento parece que nosso mundo vai cair, que vamos morrer... Mas as novas experiências nos mostram que se aconteceu foi porque era pra ser, e que precisávamos passar por tudo aquilo pra perceber que podíamos ter mais... Que podíamos ser mais! Fica claro isso nos textos que Ana e Rodrigo redigiram um para o outro. Eles relembraram a infância e adolescência juntos, todo aquele intenso amor que viveram, e assumiram que se amariam para sempre; mas não do mesmo jeito, não o mesmo amor. A prisão havia acabado, eles haviam se resolvido, e agora estariam livres pra viver outra história, amar outra pessoa por inteiro. Sem mais confusões, sem mais sofrimento, sem mais peso do que o passado trazia consigo. 
No início da novela eu achei que um amor de tanto tempo tinha que permanecer até o fim, e em quase todas as novelas que assisti almejava que isso ocorresse. Mas de uns tempos pra cá me parece que os autores estão acabando com a história do "era uma vez (...) felizes para sempre" e colocando os mocinhos pra finalizar a trama com outro amor. Algumas ficam meio sem sentido, mas nessa fez todo o sentido. E como minha amiga disse, seria contraditório eles pregarem na novela que o tempo passa e as coisas mudam e não mudar nada entre o casal principal. 
A verdade é que existem sim amores que duram uma vida inteira, apesar de ser raro... Mas existem também amores que acabam, ou que simplesmente mudam de jeito, não deixando de ser amor. E nem por todas as mudanças esse sentimento deixa de ser tão nobre e bonito. A vida segue, o tempo passa... Não importa se você está seguindo junto com ela ou não. No decorrer do seu caminho, você perderá pessoas, conhecerá outras, amará e talvez odiará quem amou. Perderá coisas, ganhará outras. Hesitará entre continuar caminhando ou voltar. É assim mesmo. O mundo dá voltas, as coisas mudam. E nada permanecerá do jeito que você deixou... Nada.
sexta-feira, 2 de março de 2012

Embriaguez de ti


Teus olhos me enlaçavam, me fixavam de um jeito... Nunca tinha sentido isso antes. Era como uma droga surtindo efeito. Eu simplesmente não conseguia te negar nada, estava num êxtase absoluto e inegável. O mais estranho de tudo era eu me sentir bem com isso. Que mágica fizestes em mim? Deveria me contar. Senta aqui, e explica-me essa confusão que é você. Diz-me por que pronuncia palavras incertas de forma tão segura. E por que eu fico tão presa nessa tua inconstância, me sentindo contraditoriamente segura. Teus braços me consolam, trazendo uma paz que outrora era utopia. Anda, vem cá. Me tira desse transe, ou me diz como sair dele. Ensina-me como curar isso, um antídoto desse teu veneno poderoso ao qual não consigo resistir. Nos meus pensamentos parecias tão mais frágil... Eu conseguia me desvencilhar de tuas mãos macias e fortes. E quando ousei abrir os olhos, já estava lá, novamente, completamente entregue a ti. Os pensamentos diziam “Não”, mas os olhos diziam “Sim”. O coração pulsava acelerado, as mãos o seguravam como que para não sair do lugar. Não adiantaria tentar fugir, você sempre iria me alcançar. Tolice minha. Então você me puxa forte, e teus lábios encontram os meus. E eu esqueço todos os devaneios, todas as relutâncias, e sou sua outra vez...
quinta-feira, 1 de março de 2012

O mundo de um estranho sonhador

Mais uma xicara de café. Agora bebericava com pressa, apesar da visível quentura, com fumaças saindo desenfreadamente. Lia o jornal da manhã, com os olhos correndo pelos classificados. “Nossa, quanta tragédia de ontem pra hoje”, mencionava calmamente. Na verdade, precisava arranjar um emprego com urgência. A “vida mansa” não lhe pertencia mais... Era hora de virar gente, como dizem por aí. Achou inúmeros empregos, mas nenhum parecia lhe servir. Não que fosse indigno ou coisa assim, apenas exigia uma experiência mínima, o que não correspondia a sua realidade. Olhou para o relógio. Seu tempo acabara. Adeus aos classificados, era hora de ir à luta de verdade. Penteou os cabelos, visualizou o “conjunto” pelo espelho e concluiu que estava satisfatório. Riu da própria vaidade e saiu, trancando as portas. No trajeto, observou as pessoas transitando rapidamente, devido à loucura do dia a dia. Não queria ficar assim, almejava uma vida tranquila. Suspirou. “Em que mundo você vive? A realidade é bem diferente, acorda”, pensou. Pois é, pra se viver nesse mundo tinha que trabalhar, trabalhar, trabalhar... E trabalhar. Aproveitar e se divertir é pra quem pode, não para a estúpida e esmagadora maioria. Caminhava distraidamente, com as mãos no bolso e assobiando uma música dos Beatles. Que raios de pessoa procuraria um emprego assim? Era um completo sonhador, desconhecedor das regras do mundo real. Mas estava prestes a conhecê-lo, e teria que aprender à força a seguir as tais. Encontrou agências de emprego, marcou entrevistas. Por ser inteligente e perspicaz, conseguiu três trabalhos: assistente bibliotecário, operador de telemarketing e caixa de banco. Escolheu a primeira opção. Inicialmente adorou, por estar próximo de sua paixão – livros –, porém logo se cansou das pessoas procurando-lhe sem parar. Tentou a segunda opção. Gostou de poder passar trotes e rir das pessoas nervosas, entretanto o stress incontrolável dos clientes o irritou demasiadamente. Por fim, tentou o terceiro. Era um trabalho leve, lhe aproximava do dinheiro... Mas isso não o interessava. Era entediante demais para ele. Após as três experiências, concluiu que não servia para trabalho algum. As pessoas, segundo ele, eram muito entediantes, arrogantes e previsíveis. Queria algo novo e diferente. E então decidiu: foi ser escritor. Criou o mundo que almejava viver, as pessoas com quem desejava conviver... Não tinha muito dinheiro, mas não vivia na correria rotineira dos demais. Era feliz. E isso era, definitivamente, raro. 

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Lua (:
Capricorniana, 19 anos, um tanto tímida porém de personalidade forte. Tem pés no chão e paradoxalmente idealiza o mundo e tem um tanto de fé nas pessoas. Adora admirar as coisas simples, e as valoriza muito mais do que as coisas "compradas". É apaixonada pela escrita e não poupa palavras para dar sua opinião. Acredita que palavras têm um poder imensurável; acredita também que pode trazer, assim, um pouco de felicidade às pessoas. Sonhos? Possui muitos, e tenta realizá-los. Dá tudo por seus amigos, luta por sonhos alheios também. Seu grande sonho profissional é cursar psicologia - profissão pela qual é apaixonada desde criança; outros sonhos seus são conhecer os amigos virtuais e viajar pelo mundo. Preza a sinceridade e a generosidade. Gosta de estudar, conhecer, ver. Se sensibiliza com histórias espontâneas, dramáticas e que possuam essência. A magia de um conto, de uma música, lhe dá arrepio. Ah, e tem uma paixão forte por retratar vidas alheias, seja como prosa, seja como poesia.
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Escrever é como uma necessidade, para mim. É um sonho particular levar alegria ou algo de bom para as pessoas. Aqui consigo expressá-los poetica ou até mesmo grosseiramente, mas tudo isso tem um propósito. O que eu desejo é que as pessoas se conscientizem das coisas e que não percam a fé umas nas outras... Tento trazer paz, tento trazer amor, além de reflexão; aqui mesmo, neste cantinho! Pode parecer inútil, mas já é uma grande coisa. Entre, fique à vontade para ler, curtir, criticar e se expressar!

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