quarta-feira, 28 de julho de 2010

Irreversível

Anoitecera. Pensamentos pairavam em minha mente, e eu não conseguia esquecê-los, não conseguia digerir os fatos. Tudo o que vira naquela tarde modificou a minha vida da maneira mais terrível que poderia modificar, congelara minhas pernas e ferira profundamente meu coração.
O que você faz quando é friamente traído pelas duas pessoas que mais amava? Seria capaz de suportar toda essa dor sem querer gritar, chorar, quem sabe até morrer...?
Meu telefone tocava sem parar. Sabia que era ele, e não queria atendê-lo. Não, nem que eu tivesse que destruir os fios do poste, eu não iria atender.
Meus olhos começavam a ameaçar se fechar, mas as cenas perpassavam em minha mente e me tiravam o sono. De repente ouvi um barulho e desci as escadas para ver o que era.
- Clara, você precisa me ouvir! Por favor, deixe-me explicar tudo o que viu, ouviu, sei lá mais o quê...! - Eduardo andava de um lado para o outro, hora olhando para mim, hora para o chão.
- Como você tem coragem de vir aqui? Depois de tudo o que vi e ouvi, dispenso explicações! Fora, fora daqui, agora! - descontrolei-me.
- Clara, ela fez de propósito! Eu não queria, ela mentiu, me persuadiu! Desculpa, perdão, eu não queria! - ele agora se ajoelhara.
- Não era o que parecia, ok? Olha, eu não sou nenhuma criança, então não tente me iludir, está tudo acabado, nunca mais me procure! - doía tanto pronunciar aquelas palavras...
- Eu te amo, Clara! A Vitória armou tudo, por favor, acredite em mim! Ela, justo ela, que sempre se disse sua melhor amiga fez isso com você, ela quem te traiu, não eu!
- Chega! Nem mais uma palavra! Eu vi vocês fazendo coisas que prefiro não lembrar! Carícias, beijos, não há como ter sido armação! Bem que ela me alertou que você não valia nada! Agora sai daqui, e me esquece, para sempre. - sublinhei as últimas palavras.
- Eu te entendo... farei tua vontade. Seja feliz, Clara, de coração eu te desejo. Só espero que um dia você descubra a verdade. - disse ele por fim, com os olhos cheios de lágrimas.
Claro que eu não acreditei em uma palavra que ele proferiu. Nenhuma. Falso, mentiroso, infiel, mau caráter - eram esses os adjetivos que eu dava a ele naquele momento. Voltei para o quarto, tamanho era o cansaço e a vontade de chorar.
No dia seguinte resolvi me mudar dali, sair da cidade, começar uma nova vida.
Algumas semanas depois estava feliz, e curada daquela angústia que havia me tomado antes. Um ano se passou, minha vida estava perfeita, porém não encontrei um outro amor. Queria distância dos homens, e de amizades muito próximas. Então, numa bela segunda-feira, recebi uma carta da Vitória, confessando todas as maldades que havia feito contra mim e o Eduardo, mostrando-se arrependida. Lágrimas caíram dos meus olhos ao terminar de ler; "Tarde demais..." - pensei comigo. O Eduardo havia se casado com outra mulher, e parecia estar muito feliz. Eu estava sozinha, mas também estava feliz. Nossas vidas tomaram rumos diferentes, e agora já não havia maneira de voltar atrás. Todos nós erramos: a Vitória, por agir de má fé; o Eduardo, por deixar-se seduzir; e eu, por não ter dado uma chance para o Eduardo provar-me que estava falando a verdade. Não há culpado para o "fim" dessa história, cada um decide o rumo que sua vida irá tomar, consciente ou inconscientemente. Eu poderia ter sido feliz ao lado do Eduardo, poderia ser eu a esposa dele agora; mas escolhemos viver outra vida sem querer, e hoje a vivemos por vontade. Talvez eu ainda permaneça no coração dele, como ele ainda está e sempre estará no meu, mas é pra ser assim: apenas uma lembrança de algo muito bonito.


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Lua (:
Capricorniana, 19 anos, um tanto tímida porém de personalidade forte. Tem pés no chão e paradoxalmente idealiza o mundo e tem um tanto de fé nas pessoas. Adora admirar as coisas simples, e as valoriza muito mais do que as coisas "compradas". É apaixonada pela escrita e não poupa palavras para dar sua opinião. Acredita que palavras têm um poder imensurável; acredita também que pode trazer, assim, um pouco de felicidade às pessoas. Sonhos? Possui muitos, e tenta realizá-los. Dá tudo por seus amigos, luta por sonhos alheios também. Seu grande sonho profissional é cursar psicologia - profissão pela qual é apaixonada desde criança; outros sonhos seus são conhecer os amigos virtuais e viajar pelo mundo. Preza a sinceridade e a generosidade. Gosta de estudar, conhecer, ver. Se sensibiliza com histórias espontâneas, dramáticas e que possuam essência. A magia de um conto, de uma música, lhe dá arrepio. Ah, e tem uma paixão forte por retratar vidas alheias, seja como prosa, seja como poesia.
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Escrever é como uma necessidade, para mim. É um sonho particular levar alegria ou algo de bom para as pessoas. Aqui consigo expressá-los poetica ou até mesmo grosseiramente, mas tudo isso tem um propósito. O que eu desejo é que as pessoas se conscientizem das coisas e que não percam a fé umas nas outras... Tento trazer paz, tento trazer amor, além de reflexão; aqui mesmo, neste cantinho! Pode parecer inútil, mas já é uma grande coisa. Entre, fique à vontade para ler, curtir, criticar e se expressar!

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